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7.2.10

quando me rendi ao expressionismo alemão.

"Before a cornfield he said:
The fabled fidelity of cornflowers
is a fine motif for women painters,
but i prefer the profound opera of the poppy.
It makes you think of blood clots and menstruation.
Of sufferinf, spitting up, going hungry, kicking the bucket -
in short: of the murky path of man."

Before a Cornfield, Gottfried Benn, 1913.


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No seguimento deste post, só queria dizer que não me parece que o papel do "C"inema seja o de entreter. Irrita-me de certo modo a atitude "programa com o namorado/a fim de semana" que raramente varia entre o museu, o centro comercial, e o cinema (que não raras vezes é dentro do centro comercial) - alternada e aleatoriamente. Não me parece que todo justo que o cinema tenha de se inscrever neste circuito plasticamente cultural, em que para ocupar o tempo, se espera algo mastigavel e previsível. Talvez assim não seja possível compreender que, noutra dimensão, - talvez com mais algumas dimensões que a literatura (não tenho bem a certeza) - tem a ver com toda a construção de um universo - mais ou menos ficcionado - que tem de ser verdadeiro (no sentido do genuino), e portanto comprometido com uma sinceridade inquestionável que torna justificados todos os meios/grafismos/e artifícios. Aliás, se em algum momento se trata de lidar com emoções extremas, seria muito errado e injusto se não nos colocasse numa posição de desconforto, se não partilhasse aquele envolvimento a todo o custo que é irremediável nos livros que nos prendem da primeira página à última palavra. Tenho admitir que não vi o Anticristo, senão alguns fragmentos, embora tenha ouvido todo o tipo de críticas de público-gosto-muito-de-cinema-e-tambem-pipocas. Ouvi comparações com o Irreversível, alegando um voyerismo pretensioso, ouvi também que o pretexto não é mais do que a procura de um mediatismo "à là Von Trier" extremo, enquanto quando me lembro, por exemplo, do que é transversal a Breaking the Waves, Dogville, Dancer in the Dark, não vejo senão um prazer puro e e sofrido por uma procura da beleza na nudez da crueldade mais visceral do "ser humano". Para responder à cena do "ralenti", talvez em 1925, esta cena (em baixo) do "Battleship Potemki" (na qual é impossível negar a sua beleza) tenha ainda sido mais chocante - na altura cortado em pedacinhos nos EUA alegadamente por conter cenas de extrema violência, e posteriormente, motivo de "homenagem", quase elemento recorrente em muitos outros filmes como o " 'Padrinho". Ao mesmo tempo, e mesmo assim supostamente demasiado agressivo para a susceptibilidade comum da época, todo o filme marcou uma estética nova no cinema, e torna-se referência no panorama expressionista alemão, tanto no cinema em si, como em outras expressões (temos o Bacon como exemplo disso). O que deixa perceber que "censuras gráficas" não são mais do que produto de convenções mesquinhas sempre muito circunstanciais num tempo que rapidamente se vê esgotado. Para mim, não há nada mais violento que um exemplar filme de domingo à tarde.


Battleship Potemki, 1925, Sergei Eisenstein

22.8.09

padrões poéticos.




"...a voz é outro corpo. É como outro corpo dentro do corpo e, para mim, a ser explorado como o resto do corpo... As palavras têm esta coisa muito curiosa porque são som e sentido ao mesmo tempo. E uma pessoa tanto pode explorar só o seu lado de sentido como pode só explorar o seu lado de som, como pode estar ali a jogar entre os dois. e esse jogo entre os dois é um mundo infindável. É algo que uma pessoa pode não fazer mais nada na vida, senao estar ali a explorar, que é o que faz um poeta... só que pôr a poesia na voz, ter essa cadência no corpo, é uma coisa muito fascinante. Interessa-me usar todos os meios que tem uma performance, na história da tal multiplicidade ser potência..."
(vera mantero, revista nexus:00, 2007 )

3.10.08

coincidências. II


"a normalidade é uma forma especial de psicose, ou seja, uma forma de não ser apanhado traumaticamente na teia simbólica, de conservar a "liberdade" relativamente à ordem simbólica"
Slavoj Zizek, Lacrimae Rerum

Apercebi-me que durante a minha viagem pela Eslovénia não podia estar mais integrada. Como sempre, levei um livro na mala... porque há sempre aqueles momentos em que alguém adormece (por norma, sou eu) e o outro fica a olhar.
O autor é um filósofo e psicanalista esloveno, da universidade de Ljubljana, que se propõe a fazer uma data de ensaios sobre o cinema moderno, explicando os filmes de Kieslowski, Hitchcock, Tartovski e Lynch de um modo algo heterodoxo. (Participa ainda no documentário de 2006 "The Pervert's Guide to Cinema", de Sophie Fiennes, no qual faz uma espécie de "viagem pelos maiores filmes de sempre" - Zizek's method of thinking is exciting because it's always building. Things relate forwards and backwards and interconnect into a mind-altering network of ideas.).

Slavoj Zizek itself convence-me de que uma das melhores decisões de sempre de toda a minha vida, foi ter, na escola secundária, desistido de Psicologia logo depois da temática freudiana.

25.8.08

george orwell diaries.



Pela LER, soube que os diários de George Orwell estão a ser publicados aqui, diariamente.