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16.5.10

a viagem é um gigante mundo metafórico.



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"De um modo geral fazemos viagens a lugares que já conhecemos de livros, do cinema, da televisão. Perseguimos imagens, com a esperança de encontrar a sua veracidade. Por vezes somos surpreendidos, mas raramente a memória não se esbate novamente nas imagens que coleccionámos.
Nesta viagem procura-se um lugar de onde não se tenham nem imagens nem expectativas. Confesso não poder garantir que esta viagem venha a ser útil enquanto instrumento de formação do arquitecto. Pode até não ter arquitectura. Mas, de tempos a tempos, o olhar procura no que é vulgar e banal a lição de séculos. Mais do que entusiasmo por conhecer, persiste a necessidade de contrariar o conforto do que chamamos "casa" e "identidade". Poderiam ser todos os outros lugares, para lá da língua, do nosso folclore, para lá do roamming...
Representa o que as viagens planeadas perderam: um pretexto, uma deriva, um acaso. Na ideia arrogante de um mundo globalizado cria-se a ilusão de proximidade, de compreensão do "outro". Por isso não prometo trazer fotografias. Não trazer imagens que invalidem outras viagens com a mesma ambição de descoberta. Não invalidar o quotidiano secreto que se esconde por detrás.
Se resistir a expor uma imagem provarei (contra Marc Augé e o livro L'Impossible Voyage) que as viagens ainda fazem sentido."

fragmentos de "Destino Tavora", um dos "Projectos Específicos para um cliente genérico", por Pedro Bandeira

27.1.10

uma espécie de cartografia.





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O silêncio que se sente aqui é algo que me desconforta, embora a causa que o alimenta seja justamente a contradição mais expressiva daquilo que se acabou de afirmar. No fundo, as imagens têm uma capacidade de síntese que ultrapassa qualquer habilidade de uma memória muito selectiva e fragmentada.

22.8.09

entropias.



Há quem diga que as distâncias aproximam, e relativizam todos os momentos, ou criam névoas da realidade. Talvez vivamos mais, ou pelo menos mais intensamente. mas há sempre, num paralelo das viagens, uma síntese entrópica do adiamento, muito inevitável e significante.

6.8.09

wien, 7th district, neubaugasse, 5a, backwindow, coffeemachine right there.




È totalmente ás escuras que o meu livro vai sendo desenhado. Por vezes troco as páginas e passo folhas ao acaso. O grafismo da página seguinte é sempre algo desconhecido, novo, ou re-inventado. Algumas ficam em branco e outras são reescritas várias vezes, tao caoticamente que o fim também costuma servir de ponto de partida.
Viena é simultaneamente certeza e incógnita, e eu (para responder à pergunta típica do Daniel) gosto disso.

1.6.09

das definições possíveis de uma adolescência. #2


Rejeitávamos todos os caminhos oficiais e ao longo de sinais encontrados sempre do outro lado da berma, continuavamos por trilhos empoeirados, enquanto iamos escrevendo e desenhando, com o indicador, expressões patetas em todos os objectos pelos quais fossemos passando. Às vezes, quando chovia, ficavamos cobertos de lama, e trocavamos (ou tiravamos) a roupa. Pensando bem, de certa forma, continuamos a fazê-lo.

das definições possíveis de uma adolescência.



Houve uma altura em que, sempre que nos encontrávamos, faziamos isto muitas vezes. (As tuas letras eram as que melhor me lembro.) Uns anos depois trocamos os instrumentos improvisados e as palminhas e as danças descoordenadas por outros interesses e outros ritmos.

24.5.09

entretanto...


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Depois de me enfiar e dançar de modo desenfreado como há muito não havia semelhança no SpringFestival (que, para quem não esteve atento, avisa-se que foi, em Graz, durante 4 dias, a "cena" do ano)... sei que o próximo passo é esperar por ti. Tens sempre aquela capacidade de superação. Ou salvação, como lhe quisermos poeticamente chamar. :) Por sintéticas palavras... preciso de ti e sinto isso muito à flor da pele.

22.5.09

new ways to get ourselves. maybe home.


Não há milagres e isto é tudo muito fácil (embora sendo na verdade relativamente complexo). Ou nos mexemos, e o que capto em primeiro plano é o som compassado dos meus passos (no limite, naquele soalho da minha sala muito barroca que range e ameaça o limiar de pulsão de cada "peça" de madeira) ou a voz que sempre que se faz ouvir reverbera interiormente dez vezes mais, (para não falar do acto de mastigar). Ou, num outro nível opcional, podemos parar, membros rendidos à gravidade, e tudo que obtemos é uma invasão sensitiva muito desconhecida e experimental. Na verdade, - diga-se -, pode-se tornar tudo muito agressivo. Não sei se o que capto mais intensamente é o agora (muito) verde de um outrora negro e indivisível vulto de ramos e troncos e folhas, se os guinchos estupidamente elevados de pássaros em competição (que cuja saudação à humanidade, noutro qualquer momento do dia, receberia de bom grado), se a relva húmida na qual me enterro, e me parece ainda mais verde e longa e fina que o habitual. Com os músculos, muito direitinhos e imóveis, o que se passa diante de mim é um desfile de vaidades, cada um esbofeteia o outro e ganha uns quantos centímetros. Tudo cada vez me parece ainda mais verde, mais ensurdecedor, húmido e intensivamente olfactivo. Talvez seja o instante em que percebemos que, num mundo real, seja o momento de voltar para casa.

20.3.09

mixed happening.


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A única certeza que tenho é esta estranha e perturbadora sensação de que me sinto ser a pessoa mais (in)dependente do mundo. Tanto oscila aos empurrões do vento como se mantem estável com o sol. Ambos não existem em Graz.

15.3.09

"a escala das coisas".


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Como tudo muda, quando muda a referência... As coisas são aquilo que as rodeia. Mudem o contexto e mudaremos, mudem a sociedade/rede social e seremos solitários ou populares, seremos valiosos ou anónimos, seremos grandes ou pequenos.... Mudemos de vez em quando e perceberemos o nosso verdadeiro valor.
aprendiz de pedreiro


Erasmus tem sido quase como que um laboratório de experimentação, não só do nosso "verdadeiro valor", mas da capacidade ou força interior que temos para instantanea e forçadamente nos desprendermos das redes que seguram o nosso conforto, e naturalmente aprender a criar outras, novas, com nós e laços desconhecidos. Não há nada mais revelador, do que nos despirmos e nos vermos pelos olhos de alguém que nos examina pela primeira vez. As relações humanas mais débeis, tornam-se subitamente toda a construção emocional possível. De frágeis, subitamente, se convertem sólidas, e, sem darmos conta, na base que nos sustenta e que assegura o nosso não desmembramento quando andamos na rua. Toda a percepção do tempo se dilui... dividindo-se num misto de velocidade frenética, e de espécie de estacionamento imperceptível. O que vivemos aqui não é bem um tempo específico num lugar específico, mas toda uma reavaliação do que somos. Percebemos que o que queremos ser daqui para a frente não é assim tão essencial, desde que consigamos ser sempre, livremente, em qualquer momento. Ao mesmo tempo, não deixa de ser um imenso paradoxo o facto de que por muito que procuremos um conjunto de imagens que hipoteticamente possam servir de síntese, ou de sistematização, estas não deixam de ser já datadas, de tão curtas neste prazo sem validade. No mínimo, se há sentimento que possa condensar alguma coisa, é o de que não há nada mais libertador do que não ter de corresponder a expectativas, de perceber que o importante é entender que as ter/criar/procurar por princípio, não é nada mais do que, para um modo de usar a vida, uma concepção global muito redutora.

1.3.09

se a razão de existir do "fim de semana" pudesse ser condensado em músicas...

sábado e domingo...respectiva e metaforicamente, pelo igualmente boémio Lou Reed.



11.12.08

crónica de uma manhã anunciada.


Num dia assim... não há possivelmente nada que supere a vontade de ficar entre os lençóis, com os sentidos despertos. Aliás, há. Quando se ouve Dirty Three ao mesmo tempo, baixinho, em competição com o som da chuva contra o vidro.

5.12.08

frase da semana. do mês. do ano. para a vida.


"A grande vantagem das mentes cautelosas é que chegam sempre um bocadinho atrasadas a tudo; a grande desvantagem é que chegam sempre um bocadinho atrasadas a tudo."
agrafo

E é a primeira vez que alguém não me faz sentir mal com este meu estado crónico de atraso constante. Nem sequer concordo com o Oliver quando me diz que é uma questão cultural: "You (portuguese) understand the concept.. but you just can't feel bad about it in the way that you could change it."
(Mas se lhe dou algum crédito é porque o Oliver estudou em Portugal um ano. Não conjectura simplesmente estas teorias de modo arbitrário).

13.11.08

raios ultra-violeta.


"(...)...quando nele julgamos ver a nossa cura".

19.8.08

das noites.


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Leio até de manhã encaixado no sofá, com um copo de café frio ao lado. A madrugada avança, as pálpebras ficam pesadas. Adormeço muitas vezes ali, e acordo com a luz a entrar às riscas pelos estores. Também me acontece adormecer em frente à televisão, durante uma série ou um filme. Falo com amigos - uns longe, outros mais perto. Corro os livros nas estantes e faço planos para o que ler a seguir. Oiço música até tarde. Escrevo, releio, risco, amarroto folhas que depois deito fora. Fico de ouvido quase chegado à janela do quarto a ouvir os barulhos inexistentes da minha rua às cinco da manhã. Penso em ti.
Maiúsculas


Qualquer dia crio uma etiqueta só para te citar, tal é o desejo dificilmente reprimível de me apropriar das tuas Palavras (com P maiúsculo, pois) simples. Esta é a segunda vez que o faço. À terceira é de vez.

29.6.08

persistência.


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Fui comprar fruta fresca, e aproveitei para tomar café.
(Agora era um momento mesmo bucólico eu começar a próxima frase por... "Na mercearia"..) Mas não. foi mesmo no "Stand" da "Delta" em frente ao "Froiz, quem vira ali no "CentroXogo", depois de descer as escadas rolantes, do "Bom Sucesso". (Nunca ninguém pensou em reflectir na redundância semântica - claramente "manipuladora"(para centro comercial) e "narcisista" (para "bairro") - que este "título" representa?)
Bem, entretanto, ao meu lado, estão Mãe e Criancinha dobradas sobre os joelhos, fixadas num boião-aquário com bolinhas-rebuçado de duas cores.

Mãe - Queres o laranja ou o amarelo?
Criancinha - Quero um de morango.

Acho nos putos piada a esta persistência e tendência para só se concentrarem no que querem. Depois, um dia, crescemos e conformamo-nos com o laranja e o amarelo.

27.6.08

mãos frias. coração quente.





© Maarit Hohteri
Nesta altura do ano, resultado combinado da temperatura do meu coração apressado (a exterior é capaz de causar algum agravamento), existe algo de incrivelmente frustrante, trágico e doloroso, em tentar/querer/precisar de dormir... e simplesmente, não conseguir.

26.6.08

tinha tudo para ser uma história de amor.

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Não fosse este cheiro constante e enjoativo a ovos estrelados no ar, vindo de local indeterminado, a esplanada do Casa Agrícola, à sombra, com esta luz magnífica, perto das 11h30, ao som de Koop, seria uma das melhores coisas do mundo.
Uma das melhores coisas do mundo, do dia 26 de Junho de 2008, enquanto se fazem pré-dimensionamentos da estrutura do projecto, depois de sair energicamente da cama, quando só se dormiu 2h, e se acordou com a Cibelle.